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blog da maluquinha
Sonhando Com As Estrelas
Já era noite. Por volta das 23h00. Eu estava na minha casa primordial. Não a casa que moro hoje, e nem a casa que já morei um dia. Eu estava na casa que sempre estou nesses momentos.
Olhava pela janela e via a Lua. Enorme. Linda!
Minha mãe passou por perto desviando minha atenção por alguns instantes. Quando voltei minha vista para a Lua, vi, muito rapidamente, um lindo cometa cruzando-a. Quando ele se escondeu atrás dela, uma explosão gigantesca aconteceu.
Olhei para minha mãe perguntando se ela havia visto aquilo. Não, sabia que de alguma forma eu era a única testemunha daquele momento extraordinário.
Concentrei meu olhar no Espaço e percebi que o local onde antes havia a Lua se transformara numa gigantesca nuvem de poeira que se expandia e avançava de forma colossal na direção da Terra.
Fiquei aflito como nunca havia ficado. Pensei no Fim dos Tempos, no Apocalipse. Imaginei que a nuvem cobriria nosso Planeta acabando conosco, como alguns dizem ter acabado com os dinossauros. Mas o que realmente me afligiu, foi em pensar no fim da minha casa. A casa que sempre sonho. Abrigando meu pai e minha mãe tão indefesos como eu, porém muito mais importantes para mim, do que mim mesmo.
Corri, desesperadamente, e fechei todas as entradas que vi deixando a porta de vidro da sacada por último. Sabia que não teria como segurá-la sozinho.
Não sabia se os vidros suportariam a ventania que viria junto com todo aquele “pó-de-Lua”, e nem se meus esforços seriam ínfimos e ridículos perto da força daquela explosão. Mas não tinha escolha, eu tinha que tentar.
Segurei a trava da porta e através do vidro vi a montanha de fumaça se aproximando. Já estava bem próximo de nós.
Minha mãe veio junto de mim e também segurou a porta. Por mais apavorante que fosse a situação, eu não estava apavorado.Apenas tenso e concentrado.
Finalmente a poeira atingiu meu prédio. Junto com minha mãe, travei uma luta inconcebível com aquele inimigo muito maior do que nós.
A porta tremia, algumas frestas deixavam passar um pouco de fumaça. No geral, eu agüentava bem a força que vinha no sentido contrário. Na calma e dedicação de sempre, minha mãe também suportava tudo aquilo.
Depois de alguns minutos, sem muita explicação, a fumaça se dissipou. Pelo que via da mesma sacada, o Planeta sobrevivera. Eu também, junto com minha família, principalmente.
Caminhei até a janela onde tudo começou, e fui surpreendido por uma nova visão. Havia uma nova Lua. Bem mais próxima da Terra e, portanto, aparentemente muito maior. Era quase como uma visão de um desenho. Em volta dela, 3 pequenos planeta-satélites orbitavam em grande velocidade. Bonito de ver.
Dentro daquela realidade, tudo voltava ao normal. Eu, minha casa, minha mãe novamente passando do meu lado e roubando minha atenção por instantes. Tudo estava tranqüilo novamente.
Acordei em paz.

Estou voltando a ler mais... Beijos pessual!!!
Escrito por iasmin às 10h31 AM
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VAI... IDADE Aline Moura
Estava sentada na poltrona velha que dava para o corredor. Jazia. A manga da blusa desbeiçava-se. Era lã, era verde e quase escondia a mão gasta, que pousava levemente sobre a mão dele, já imaginária, remanescente de um tempo antigo. Olhava a fotografia amarelecida e pensava: “Vai... idade, vai”. Aos 84 anos, queria que o tempo corresse e levasse embora, junto com o corpo, as lembranças doídas da mente. Corroía o silêncio da velhice em contraste com a juventude e os tempos festivos do marido, que inventava motivos de festa sem o menor motivo. A casa toda desmoronava, acompanhando o estado de espírito sombrio da proprietária. As pratas foram escurecendo com a falta de cuidado, assim como ela ia se apagando no eco da casa vazia. As cores soavam em preto-e-branco.
Não se olhava no espelho há três anos, desde o funeral do marido. Na véspera, enquanto se arrumava para o velório, foi a última vez que se olhou. Os corretivos já não escondiam as rugas em torno dos olhos, os cabelos ressecados. A velhice tinha chegado. Jurou nunca mais mostrar seu rosto para si mesma. E o nunca foi tomando conta de sua vontade. Nunca mais se olhou no espelho, nunca mais arrumou a cama, nunca mais sorriu, nunca mais usou a vitrola, nunca mais trocou as chinelas velhas. A contragosto, tomava banho, por insistência dos filhos.
Foi linda na juventude, adornada pelos brocados de ouro, todos presentes do pai. Seu andar lascivo de mulher-menina despertava loucuras nos homens das outras e inveja nas mulheres dos outros. Tirou a sorte de loteria premiada quando encontrou o homem de sua vida aos 15 anos. Casou-se e teve dois filhos homens, “varões”, como dizia o falecido. Dedicou-se a cuidar dos homens da casa e, irreparavelmente, foi deixando pelo caminho sua vaidade de mulher. Guardou os anéis de ouro no porta-jóias, as mechas onduladas dos cabelos num coque, o corpo esbelto num vestido longo. Debruçou-se sobre o tanque, sobre a cama, sobre a mesa, sobre o parapeito da janela para ver a vida passar.
Passados mais de sessenta anos, trocou a janela pela cadeira. Continuava ver a vida passar, dessa vez torcendo para que passasse logo. Não tinha mais os ternos do marido para engomar, os filhos não estavam mais ao quarto ao lado esperando o toque suave a chamar de manhã. Estava sozinha e inalava o cheiro de flores mortas todas as vezes que passava em frente ao quarto matrimonial. Nos raros passos que dava pela casa, levava consigo o mini-calendário. Contava os dias nele, mas não sabia que o ano estava atrasado. Para ela não fazia diferença. Sua vida também andava atrasada nos últimas décadas.
Flutuava na imensidão de sua tristeza, entre boas recordações da família. Dela mesma, nada de bom conseguia se lembrar. Fez seu pouso de morte no dia em que entrou no banheiro e levou um susto com a imagem refletida no espelho atrás da porta. Foi pegar a toalha, esqueceu-se do espelho lá guardado. Virou o rosto da primeira vez, mas não pôde evitar olhar a segunda. A ferrugem do tempo, marcada em seus linhas e contornos, percorreu as veias e chegou certeira ao coração velho e cansado. Antes da dor fulminante, ainda conseguiu arrancar o espelho do prego e jogá-lo ao chão. Quebraram em pedacinhos incontáveis. O espelho e o coração.

Olá gente, desculpe por ter sumido... Beijos a todos . Estou numa só... Estou meio !!! (rsrsrs)
Escrito por iasmin às 01h13 PM
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VAI... IDADE Aline Moura
Estava sentada na poltrona velha que dava para o corredor. Jazia. A manga da blusa desbeiçava-se. Era lã, era verde e quase escondia a mão gasta, que pousava levemente sobre a mão dele, já imaginária, remanescente de um tempo antigo. Olhava a fotografia amarelecida e pensava: “Vai... idade, vai”. Aos 84 anos, queria que o tempo corresse e levasse embora, junto com o corpo, as lembranças doídas da mente. Corroía o silêncio da velhice em contraste com a juventude e os tempos festivos do marido, que inventava motivos de festa sem o menor motivo. A casa toda desmoronava, acompanhando o estado de espírito sombrio da proprietária. As pratas foram escurecendo com a falta de cuidado, assim como ela ia se apagando no eco da casa vazia. As cores soavam em preto-e-branco.
Não se olhava no espelho há três anos, desde o funeral do marido. Na véspera, enquanto se arrumava para o velório, foi a última vez que se olhou. Os corretivos já não escondiam as rugas em torno dos olhos, os cabelos ressecados. A velhice tinha chegado. Jurou nunca mais mostrar seu rosto para si mesma. E o nunca foi tomando conta de sua vontade. Nunca mais se olhou no espelho, nunca mais arrumou a cama, nunca mais sorriu, nunca mais usou a vitrola, nunca mais trocou as chinelas velhas. A contragosto, tomava banho, por insistência dos filhos.
Foi linda na juventude, adornada pelos brocados de ouro, todos presentes do pai. Seu andar lascivo de mulher-menina despertava loucuras nos homens das outras e inveja nas mulheres dos outros. Tirou a sorte de loteria premiada quando encontrou o homem de sua vida aos 15 anos. Casou-se e teve dois filhos homens, “varões”, como dizia o falecido. Dedicou-se a cuidar dos homens da casa e, irreparavelmente, foi deixando pelo caminho sua vaidade de mulher. Guardou os anéis de ouro no porta-jóias, as mechas onduladas dos cabelos num coque, o corpo esbelto num vestido longo. Debruçou-se sobre o tanque, sobre a cama, sobre a mesa, sobre o parapeito da janela para ver a vida passar.
Passados mais de sessenta anos, trocou a janela pela cadeira. Continuava ver a vida passar, dessa vez torcendo para que passasse logo. Não tinha mais os ternos do marido para engomar, os filhos não estavam mais ao quarto ao lado esperando o toque suave a chamar de manhã. Estava sozinha e inalava o cheiro de flores mortas todas as vezes que passava em frente ao quarto matrimonial. Nos raros passos que dava pela casa, levava consigo o mini-calendário. Contava os dias nele, mas não sabia que o ano estava atrasado. Para ela não fazia diferença. Sua vida também andava atrasada nos últimas décadas.
Flutuava na imensidão de sua tristeza, entre boas recordações da família. Dela mesma, nada de bom conseguia se lembrar. Fez seu pouso de morte no dia em que entrou no banheiro e levou um susto com a imagem refletida no espelho atrás da porta. Foi pegar a toalha, esqueceu-se do espelho lá guardado. Virou o rosto da primeira vez, mas não pôde evitar olhar a segunda. A ferrugem do tempo, marcada em seus linhas e contornos, percorreu as veias e chegou certeira ao coração velho e cansado. Antes da dor fulminante, ainda conseguiu arrancar o espelho do prego e jogá-lo ao chão. Quebraram em pedacinhos incontáveis. O espelho e o coração.

Olá gente, desculpe por ter sumido... Beijos a todos . Estou numa só... Estou meio !!! (rsrsrs)
Escrito por iasmin às 01h13 PM
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